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Flávio Bolsonaro disse que foi escolhido por Deus para concorrer à Presidência do Brasil
Por Rádio JB
Publicado em 15/01/2026 15:15
Notícias Gerais
Foto: Reprodução redes sociais

A declaração do senador Flávio Bolsonaro (PL), nesta quinta-feira (15), de que “não vai cobrar ninguém” por apoio nas eleições presidenciais soa menos como um gesto de desprendimento e mais como uma tentativa de conter fissuras já visíveis no campo bolsonarista. Ao reagir ao vídeo compartilhado por Michelle Bolsonaro — em que o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) critica o governo Lula e defende a necessidade de um “novo CEO” para o Brasil — Flávio buscou reafirmar sua posição como herdeiro natural do capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao afirmar que sua pré-candidatura “não tem volta” e que é o “escolhido por Jair Bolsonaro”, acrescentando ainda um tom messiânico ao dizer que foi escolhido por Deus, o senador reforça a estratégia clássica do bolsonarismo: centralizar a legitimidade política na figura do patriarca da família. O discurso, no entanto, também revela insegurança diante do crescimento da especulação em torno de Tarcísio de Freitas como alternativa viável e eleitoralmente competitiva à Presidência.

O comentário da primeira-dama paulista, ao chamar o marido de “novo CEO” que o Brasil precisa, funcionou como um gatilho. Mesmo sem uma declaração direta de candidatura, a fala expôs o desconforto de parte da direita com a possibilidade de um nome fora do clã Bolsonaro assumir o protagonismo nacional. A reação negativa de bolsonaristas mais fiéis mostra que, para esse grupo, a sucessão passa menos por critérios de gestão ou viabilidade eleitoral e mais por lealdade familiar e simbólica.

Michelle Bolsonaro tentou amenizar a polêmica, afirmando que não interpretou a fala como uma indicação de Tarcísio ao posto máximo, reforçando que o “CEO” ideal continuaria sendo Jair Bolsonaro. A tentativa de pacificação, porém, não elimina o fato central: a direita vive uma disputa antecipada de poder, ainda que travestida de apoio mútuo e discursos conciliadores.

 

No fim, o episódio escancara que, apesar do discurso de união, o bolsonarismo enfrenta um dilema clássico: insistir na lógica da herança política ou abrir espaço para um nome com perfil mais técnico e menos ideológico. A resposta a essa pergunta pode definir não apenas o candidato, mas o futuro da própria direita brasileira.

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