O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta sexta-feira (29) que não pretende acompanhar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro na ação penal que trata da chamada trama golpista. De acordo com Lula, “há coisas mais importantes a fazer”, e caberá a Bolsonaro provar sua inocência perante a Justiça antes de cogitar qualquer pedido de anistia.
O chefe do Executivo criticou duramente a articulação de parlamentares bolsonaristas que tentam emplacar uma narrativa em defesa do perdão aos atos golpistas, citando nominalmente o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Lula questionou o fato de o filho do ex-presidente desempenhar atividades políticas fora do país e destacou que, segundo as regras do Congresso, um parlamentar pode ter o mandato cassado caso falte a mais de um terço das sessões anuais.
Ao comparar os episódios de 8 de janeiro de 2023 no Brasil com a invasão ao Capitólio, nos Estados Unidos, em 2021, Lula frisou que todos os envolvidos devem ser responsabilizados conforme a lei, independentemente de cargos ou posições políticas. Para ele, a tentativa de minar o processo democrático não pode ficar sem punição.
O presidente também rebateu as declarações de Eduardo Bolsonaro em fóruns internacionais, segundo as quais os EUA teriam razões para impor sanções ao Brasil. Lula classificou os argumentos como “totalmente inverídicos” e acusou o deputado de tentar manchar a imagem do país no exterior.
Por fim, o petista voltou a defender a regulação das big techs, com ênfase na proteção de crianças e adolescentes e no cumprimento das legislações brasileiras por parte das plataformas digitais. Segundo Lula, o debate não é apenas sobre liberdade de expressão, mas também sobre a responsabilidade das empresas que lucram com o conteúdo disseminado em suas redes.